Um final de campeonato para nenhum crítico dos pontos corridos botar defeito.Faltando poucas rodadas para o fim do campeontao, dois times que disputam a ponta da tabela entram em campo para o "mata-mata". Vale a liderança temporária, vale a derrubada de um adversário rumo ao título.
Começa o jogo. Tensão total. Os adversários se respeitam, mas não se intimidam. Lançam-se ao ataque cautelosamente e se defendem com precisão. O jogo é bom, muitos jogadores qualificados e um bandeirinha nem tanto. Um assistente FIFA - ainda não decidi, se isso é bom ou ruim - que cometeu os erros mais absurdos que já vi na história recente do futebol. Sem chororô, não sei se os lances iam resultar em gol ou não, mas deixaram um clima de alerta na sala. Cazedu gritava: "são meeeeetros"; "10 metros"!
Detalhe da arbitragem: nesse momento, as mensagens de texto começavam a chegar: "não assiste. vai passar raiva"; "juiz comprado". O que para alguns pode parecer choro, desculpa de peidorreiro ou complexo de perseguição, para outros é uma realidade. Quem não torce para times do Rio ou de São Paulo, não entende, mas a questão da arbitragem é sempre temerária para os times da periferia. Não creio que os juízes sejam comprados, apenas que há o peso da camisa, da repercussão e da imparcialidade da mídia. O Cruzeiro, aliás, não é vítima, e frequentemente é beneficiado pela arbitragem, o foi no jogo contra o Ceará, contra o Atlético-MG, no ano passado teve uma série de benefícios contra times menores. E posso elencar também um sem número de falhas contra o Cruzeiro e a favor de outros times, como um jogo no ano passado em que o Cruzeiro sofreu 5 penaltis sem marcação em um jogo contra o Palmeiras. Enfim, a questão não é contabilizar pontos perdidos e pontos ganhos com a intervenção equivocada da arbitragem, apenas destacar que "a questão da arbitragem" é sempre tensa para nós.
Voltemos ao jogo. Que belo jogo! Dava gosto de ver a organização tática e a qualidade técnica das duas equipes. Emocionava-me ver os jovens zaqueiros cruzeirenses desarmando Ronaldo e cia. cheios de classe. (Gil é meio estabanado, mas indiscutivelmente melhor que Edcarlos). Mas queríamos a vitória. Bruno César, com sua arrogância paulistana, não assimilou isso e a cada ataque ia buscar bolas na linha de fundo para evitar uma suposta "cera" do goleiro Fábio. Cruzeiro jogava bem, tão bem que um empate não estaria de bom tamanho e uma derrota ficava a cada minuto mais inimaginável.
Mas eis que acontece o inesperado. Aos 42 minutos do segundo tempo, o gordo me cai na área. Penalti. Ninguém entendeu o que havia sido marcado a princípio. Ninguém entendeu como o árbitro havia enxergado alguma falta no lance. Revolta momentanea, almofadas na TV e um controle quebrado. Fabrício vira ídolo.
Depois chegam as câmeras em slow motion de diversos ângulos, em seguida uma foto (rs) que provava a existência do penalti dentre outros artifícios midiáticos. Coisas de quem analisa o futebol de forma estática e esquece da dinâmica do jogo. O lance tornou-se a grande polêmica do feriado, cada um com sua opinião e condicionantes. A minha convicção é que se fosse Wellington Paulista no lugar do gordo não seria penalti. E me permito ir além: se não fosse marcado o penalti, não haveria reclamação.
Fim do sonho. Fim de um campeonato com gostinho de marmelada. Bom para os São Paulinos e Palmeirenses que desafiarão o Corinthians com o título da Libertadores, alegando que sem o auxílio da arbitragem brasileira, o Coringão não tem capacidade de ganhar na bola.